Histórias de vida
O que começou como sustento, com o tempo ganhou raízes mais profundas. E o trabalho ganha ainda mais força quando carrega propósito. A história de Elton José Rech e Marta Inês Rech com a Ecocitrus se constrói assim: o casal, que já investia em uma produção sustentável, se apaixonou pelo trabalho da cooperativa e viu nele afinidades com seu estilo de vida.
Há cerca de três décadas, quando iniciaram a vida a dois, o ritmo da propriedade era guiado principalmente pela produção leiteira. Os pomares existiam, de bergamotas e laranjas-valência, mas como complemento de renda. Com o passar dos anos, o avanço dos transgênicos e a exigência crescente pelo uso de insumos químicos nas plantações trouxeram o desencanto.
“E foi em uma conversa simples e por indicação do meu cunhado, Rudi Lottermann, que resolvi acompanhar os encontros na Ecocitrus, isso em 2011, pela afinidade do trabalho desenvolvido na cooperativa com o nosso. E somos muito inspirados na história dele”, conta Elton.
O envolvimento com a Ecocitrus foi crescendo até que, em 2012, Elton e Marta resolveram dar o passo definitivo e se tornaram cooperados. As vacas foram sendo vendidas, e o espaço antes ocupado pelo milho começou a se redesenhar em pomares diversos: laranja-valência, o carro-chefe da produção, além das bergamotas Caí, Pareci e Montenegrina, e também do limão-siciliano.
No primeiro ano de plantio, foram produzidas cerca de 800 caixas de laranja nos 8 hectares da família. Atualmente, esse número chega a 5 mil. E todo o processo, do plantio à colheita, acontece a partir do trabalho direto do casal.
“E, com o passar dos anos, a busca constante por equilíbrio com a terra e a homeopatia passaram a fazer parte do manejo dos pomares e também do cuidado com a família e os animais. Faz aproximadamente 8 anos que integro o grupo de homeopatia da Ecocitrus. E é muito incrível, porque qualquer desequilíbrio que observamos nos pomares resolvemos com homeopatia. Sabemos que tudo é energia e fazemos essa parte na nossa plantação”, destaca Marta.
A biodinâmica e a agrofloresta também têm espaço nessa relação sensível com o meio ambiente. Para Elton, a escolha é clara: “O mais importante é saber que estamos produzindo sem veneno, sem agredir. É pensar no futuro, pois sabemos que muitas doenças atuais e a destruição da natureza decorrem disso”, explica o produtor.
Mas talvez o que mais fortaleça essa caminhada seja o sentimento de pertencimento. A troca com outros produtores, as visitas, as conversas e as experiências compartilhadas constroem uma rede que vai além da técnica.
“Compartilhar experiências com outros produtores da cooperativa é algo muito enriquecedor. Participamos das Tardes no Campo, momentos em que visitamos as propriedades uns dos outros, sempre com respeito, atentos aos detalhes e em busca de inspirações para aprimorar nossa própria produção. Muitas das hortaliças, pomares e mudas de árvores que cultivamos hoje também nasceram dessas trocas com outros associados da Ecocitrus”, conclui Marta.
A Cooperativa dos Citricultores Ecológicos do Vale do Caí – Ecocitrus foi fundada oficialmente no dia 2 de novembro de 1994, por 15 sócios-fundadores. Inicialmente constituída como associação, os quinze idealizadores que precursionaram esse trabalho acreditavam que outro tipo de agricultura era possível na região do Vale do Caí: sem agrotóxicos, preservando a saúde do planeta e de cada consumidor.
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