07/04/2015

Aprovado o ônibus ecológico com biogás

DIRIGENTES das empresas e entidades que participam do projeto apresentaram o veículo a lideranças do segmento de transporte coletivo DIRIGENTES das empresas e entidades que participam do projeto apresentaram o veículo a lideranças do segmento de transporte coletivo

Um dos principais problemas de infraestrutura do Brasil a carência do sistema de transporte coletivo, deve ter uma solução que coloca a região do Vale do Caí na vanguarda de projetos com combustíveis renováveis. Foi apresentado na manhã de ontem na Braskem, no Polo Petroquímico de Triunfo, o primeiro ônibus movido a biometano no país. A iniciativa é fruto da união das empresas Sulgás, Scania, Braskem e Consórcio Verde Brasil, formado por Ecocitrus, de Montenegro e Naturovos, de Salvador do Sul.

Produzido na Suécia, o modelo Scania Euro 6, abastecido também com gás natural, termina o período de testes na próxima semana em viagens experimentais com o transporte de funcionários da Braskem. Na semana que vem, o veículo irá para a capital paulista para ser testado no sistema SP Trans por um período curto. Na sequência, deixa o país, mas a empresa sueca já iniciou a produção de um segundo modelo, que será nacionalizado por uma fábrica de carroceiras, devendo ficar pronto até o final de abril.

Com o biometano, combustível menos poluente, renovável e não fóssil, os veículos de transporte coletivo passam a emitir menos ruídos. Sem contar os custos menores de operação na comparação com o óleo diesel. A expectativa é que o modelo possa entrar em linha de fabricação em larga escala em dois ou três anos no país. Para tanto, precisa vencer o processo, em curso, de homologação junto ao Departamento Nacional de Trânsito e, o mais importante, garantir uma matriz energética de produção de biometano.


Ecocitrus irá investir mais de R$ 15 milhões

Um dos líderes do projeto de produção do combustível ecológico, o presidente da Cooperativa Ecocitrus, Fábio Esswein, destaca que serão investidos cerca de R$ 15 milhões na ampliação da planta de Montenegro para chegar a 20 mil metros cúbicos por dia. Entretanto, para fazer este investimento, a cooperativa de agricultores familiares ainda aguarda o marco regulatório sobre o combustível a ser feito pela Agência Nacional do Petróleo.

Hoje a unidade produz cerca de 2 mil m³ de um limite de até 5 mil m³ de capacidade. Além da ampliação, a empresa, juntamente com a Sulgás, irá construir um posto de combustível para abastecimento de veículos com biometano na RS-124. A obra, que ainda não começou, não tem prazo para ser concluída.

Resultado de dejetos de aves poedeiras e resíduos da agroindústria, como o bagaço de frutas, o biometano já vem sendo usado em testes com veículos de associados da Ecocitrus como combustível regular. Com capacidade para receber até 160 mil toneladas por ano de resíduos e dejetos na usina de compostagem, a Ecocitrus recebe hoje 20 mil toneladas por mês de 200 empresas gaúchas, portanto há uma boa margem para atender a necessidade de gerar do gás ecológico. Feliz pelo sucesso da iniciativa, o presidente da Ecocitrus lembra que o projeto coloca Montenegro na vanguarda do país, atraindo interessados de todo o Brasil. “Fomos provocados pela Naturovos, que queria uma destinação dos dejetos e vimos uma oportunidade de negócio”, recorda Fábio Esswein.


Alta competitividade

Analisado por professores da Univates, os testes do modelo mostram que o produto é competitivo na comparação com os abastecidos com óleo diesel. As emissões de monóxido de carbono foram 97,5% abaixo do limite estabelecido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente, enquanto os índices de hidrocarbonetos ficaram 90% abaixo do limite fixado pelo Conama. A redução de ruído foi assegurada graças ao motor ciclo Otto de cinco cilindros.

O rendimento no teste foi de 2,13 km por m³ de gás biometano abastecido. Detalhe: o abastecimento leva em torno de um minuto e meio. A autonomia do modelo com gás ecológico é de 350 a 400 quilômetros por dia, enquanto que, com óleo diesel, é de 800 a mil quilômetros por dia.

Embora o custo final do veículo seja 25% superior ao modelo tradicional, o diretor de vendas da Scania, Silvio Munhoz, aposta que a tecnologia é viável economicamente porque o custo de operação é mais baixo e menos poluente, contribuindo para a redução das doenças nos grandes centros urbanos. “É um modelo muito parecido com o movido a óleo diesel, cerca de 85% das peças são as mesmas, o que dispensa de um estoque específico para o operador do sistema (de transporte coletivo)”, pondera o diretor da Scania.



Fonte: Jornal Ibiá - Sandro Vinciprova